sexta-feira, 23 de abril de 2010

Na minha próxima vida eu escolho surfar


A minha vida teria sido muito diferente se lá nos confins dos anos 90 eu tivesse aceitado o convite que o mar me fazia, me chamando para lhe visitar. Eu ia, timidamente. Chamava pai ou mãe, alguém mais alto e responsável que pudesse me levar até lá longe, no fundão.
Ele estava lá, sempre esteve presente nos verões de minha vida. Para ele eu peço um banho de energia. Ele cura ressaca, dor de cotovelo e desamores. A delicia de dormir ouvindo o seu som ou acordar, abrir a janela e dar de cara com ele.
Atribuo a dois fatos a minha não formação surfista: a prancha de bodyboard que eu ganhei dos meus pais (dura, pesada e rosa. Eu queria a azul e da marca da moda, não aquele pseudo-prancha!) e o episódio do afogamento dos meus primos. Após passado o susto da quase morte, todas as crianças ganharam picolés “proibidos” para a beira da praia, como era o caso do Eskibom e Cornetto. A minha irmã e eu tivemos que nos contentar com os de fruta, já que era regra dos nossos pais que picolé na beira da praia só se fosse de fruta (baratinho). Pobre de nós duas, quase perdemos os primos e ainda tivemos que vê-los comendo os nossos sorvetes prediletos sem poder dizer um ai!
Ainda me pego indagando qual teria sido o meu picolé se EU tivesse me afogado.
Ainda me culpo por nunca ter conseguido manejar direito a “planonda” rosa.
Se eu não tivesse sido tão preguiçosa teria hoje um outro objetivo de vida: encontrar a onda perfeita. Mas, não. Desisti antes mesmo de começar.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Lembrança de algo que há de acontecer

Coloquei numa lista para não esquecer, os locais que eu gostaria de voltar em Barcelona. Pode ser que um dia, ao visitar a cidade, eu precise retomar essa lista e ser fiel aos meus desejos de hoje.

Voltar ao restaurante cubano no Born;
Almoçar no restaurante africano e pedir yuka com espinafre!
Sentar num dos bancos do Passeo Del Born à noite e ficar de converse com os paquis vendedores de cervesa-bier;
Um piquenique com queijo brie na Ciutadella: uma noite com jazz no parque;
Subir até os jardins do castelo de Montjuic para um cine ao ar livre;
Reunir os amigos em alguma teraza, com vista para o Tibidabu;
Andar de bicicleta;
Propor um luau em Barceloneta.
Ver uma lua cheia em qualquer ponto da cidade.
Andar de bicicleta de noite;
Sair de marcha, começando pela champañaria, passando pelos barzitos do raval;
Ir do CCCB para o Macba e do Macba para o CCCB.
Andar de bicicleta pelo gótico;
Gastar um dia inteiro em Gracia.
Assistir a um filme no Verdi.
Andar de metro bêbada e de madrugada.
Pegar os restos de comida deixada em frente ao Maoz.
Ficar com o pescoço duro de tanto olhar pra cima;
Andar de bicicleta;
Observar as sacadinhas coloridas pelas flores na primavera...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

banho de energia

Todo mês de fevereiro, morena, carnaval te espera.
Foi nesse embalo que eu saí de “férias” na sexta-feira véspera do feriado de carnaval, emendando a semana.
E como foi bom me jogar na beira da praia, sem compromissos. O mar faz a gente pensar na vida, remexer as águas paradas. Passei por cinco mares diferentes...

Voltei com a pele mais morena, o cabelo mais seco, o sorriso mais largo, a cabeça mais a mil, o corpo mais descansado, as unhas desfeitas, as roupas mais sujas, a alma renovada!

Agora sim o ano pode começar. Já tenho mil planos para esse 2010.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Opção 2

Eu posso sentir o vento abafado atingindo o meu rosto numa manhã de domingo, pode ser na primavera. Contornando a Lagoa, pedalando ritmadamente com os meus pensamentos. E estarei pensando: que saudade da terrinha!
Posso me ver correndo no calçadão, admirando o pôr do sol no Arpoador com meu velho tênis de corrida, bermuda desgastada e regata. E estarei pensando: que delicia tudo isso aqui!
Consigo vislumbrar meus finais de semana com programações que intercalam praia, chopp, shows de música, comprinhas e visitas de amigos. À beira do mar, no fim de tarde, sentindo um pouco de frio, vendo o sol se despedir. E estarei pensando: poucas sensações são melhores que essa!

Ah, o Rio...

A vontade de tentar a vida por lá. Com calor de 40°, congestionamentos homéricos, assaltos à luz do dia, tiroteio como cortina musical.
E estou pensando: será que terei essa sorte?!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Opção 1


Um feriado em Florianópolis sempre mexe comigo. É a paisagem sem igual, o jeito tranqüilo e sem pressa daquele povo, as praias maravilhosas, o observar dos turistas e, claro, os milhares de surfistas desfilando pra lá e pra cá. Dá vontade de largar tudo e curtir uma vida mansa por lá.
Obviamente, Florianópolis tem seus problemas, como toda cidade. Mas é muito mais fácil esquecer de qualquer problema com um paredão verde de mata intocada na tua frente ou encarar um super engarrafamento sabendo que do outro lado do morro tem uma lagoa e teus amigos estão te esperando pra assar um peixinho.
É fácil imaginar a vida em Florianópolis.

Mas saborear essa vida completamente só tendo um bom companheiro à tira colo! 
E que será que vem antes, o ovo ou a galinha?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

na clareza de um instante

Acabei de ler um blog que me inspirou. Gostei da maneira que a autora escreve, com tanta sinceridade, dá pra sentir que vem de dentro, é fácil e pleno. É como quem tem facilidade em costurar, sem muito esforço, tá pronto. E eu pensei em todas as coisas que eu gostaria de ter facilidade em fazer. Já faz tempo que eu deixei de querer tudo, mas sigo querendo muito. Gostaria de saber tocar violão, falar francês e italiano, costurar meus próprios vestidos, ter um cachorro e correr com ele na praia, fazer seleções musicais, aprender história da arte, fazer arte, ter uma bicicleta e morar numa cidade que me permitisse andar com ela...
A menina do blog foi minha colega na faculdade. Só colega. Pouco contato eu tive com ela. Mas das vezes que a gente conversou, ela sempre foi simpática, sempre sorriu. E se minha lembrança não me trair agora, posso dizer que a voz dela era doce, como eu gostaria que a minha soasse.
Ela apresentava um programa de rádio e eu a escutava sempre aos domingos, na volta da praia. E uma vez ela me convidou pra estar lá com ela, mas eu não fui. Deixei passar.

Eu quero não deixar passar mais oportunidades, experiências ou vivências. Eu quero tudo o que meu ser possa aguentar. Eu quero a vida na sua plenitude, sem parar muito para analisar.

Quero ser aquilo que meus olhos veem e o mesmo que minha alma sente.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Curtíssima

Diálogo entre minha prima e a filha dela, de seis anos:

- Sofia, vais comer todo esse leite condensado puro? Vai mandar tua carreira de modelo por água abaixo...
- Mãe, meu único sonho agora é ser uma Baleia!!