quarta-feira, 28 de julho de 2010

Eu confundo nomes

Acho Thiago parecido com Otávio.
A pior gafe que eu já cometi foi numa festa à fantasia. Eu de hippie, ele de abelhão – o filho de amigos do meu pai, alguém que eu conheço desde que nasci!
Thiagoooo!!

- Otávio, Lúcia, meu nome é Otávio!

Sim, claro que eu sei teu nome, né! Deve ser por causa dessa tua fantasia de abelhão! Me confundiu.

- Zangão, Lúcia. Eu to vestido de zangão!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Modelemos o corpo. Aprimoremos o todo

Uma frase encontrada entre uma mensagem de despedida. Da amiga. Que visita.

Um segundo de entendimento depois de horas analisando cada atitude, cada tomada de decisão, cada desejo.


Como leva tempo chegar onde se quer, entender o que se quer e seguir querendo. Outra coisa.


O corpo se modela à situação. É apenas a parte terrena superficial. O todo é tudo. Todo o resto. O que importa. Um não vem sem o outro, mas cada um entende as coisas da sua própria maneira.

O todo é mais difícil de modelar. O corpo é quase impossível aprimorar.


E mesmo sem saber o que na hora eu pensei quando optei por essa combinação de palavras, posso compreender o meu momento. Posso entender onde eu queria estar e confirmo a minha essência, a partir das minhas preocupações, constantes ou não.


É o todo. Foco no todo.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Desperta por Cocteau

Quer me ver faceira? Me esquece numa lojinha de museu.

Esquece mesmo. Me joga lá dentro e tranca a porta.

Não sei explicar o que acontece comigo quando estou nesse tipo de estabelecimento, mas não escuto nada e não vejo nada além dos livros, objetos, bibelôs, souvenirs, postais. Ai, os postais. Me apego.

O lance é o seguinte. Eu entro no museu. Olho todas as obras e sempre tem uma ou duas ou três ou quatro que ficam sendo as minhas preferidas. De alguma forma elas me tocam e eu crio um elo com elas. Então não sossego até não descer na lojinha e me adquirir um postal dessas imagens. É como se eu levasse comigo um pouco do artista, o lado que me toca!

Uma vez eu passei o ano novo em Paris. Estava com um grupo de gente, entre primos e amigos. E resolvemos todos ir no Pompidou. Enquanto uns olhavam a exposição do primeiro andar eu disse que iria na lojinha ver as coisas. E fiquei totalmente absorta. Escolhi dois livros para levar e, olhando as prateleiras de cinema me deparo com a biografia de Jean Cocteau. ACORDO!

“A Si ia gostar disso... A Si! Cadê todo mundo? Putz, passou mais de uma hora. Opa, estou sozinha aqui. Ta, vou voltar ao nosso ponto de encontro”. Nada. Ninguém. Um guardinha me olhando com ar de deboche. Com certeza ele sabia que meus amigos tinham saído por à fora, mas não quis me contar. Típico frances!

Abandonada, mas feliz da vida, pego um metro e volto para o albergue. Secretamente eu sabia que ser esquecida na lojinha do Centre Pompidou tinha um gostinho particular que ninguém precisa entender.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Diálogo de Quarta

carolina diz:

bonjour ma belle

Lú Green diz:

bonjour!

carolina diz:

ça va, ma belle?

Lú Green diz:

tudo certinho!

tirando esse frio que me enche de espirros

e tu?

carolina diz:

puta da vida, com um bofe, depois conto

Lú Green diz:

aquele que tava contigo no Odessa?

depois conta...

carolina diz:

NAO

aquele é um dos meus melhores amigos

e ele estava chaaaaaaaaaaaaaato naquele dia

Verde, você lembra de um cara que era especialista em sobrancelhas

que uma vez você me indicou?

um que uma amiga sua frequentava

acho que o nome dele é Carlos

Lú Green diz:

bah! até lembro

mas não sei mais onde ele se encontra ou nada parecido

sei que a minha mãe vai em um, outra pessoa. E ela gosta bastante

carolina diz:

hahahahaha, eu queria AQUELE, hahahahaha

como você tinha conhecido ele, vc lembra?

Lú Green diz:

sim. olhei a sobrancelha de uma conhecida minha e achei linda. Perguntei para ela quem fazia e ela me deu o contato. Eu fui uma vez e nunca mais.

carolina diz:

hahahahahahaha, guria, que coisa essas coisas né? é igual se apaixonar na rua e nunca mais ver

Lú Green diz:

total

pior é que essa conhecida hoje mora em Amsterdã

ou seja, ela mora num lugar super cool e com as sobrancelhas perfeitas!!

essa vida é mesmo injusta

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A menina dança

12 anos depois, resolvi criar vergonha na cara e começar a fazer aulas de violão.

Sem a menor pretensão, talvez um dia conseguir tocar essa aqui:



Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos

Só entro no jogo porque
Estou mesmo depois
Depois de esgotar
O tempo regulamentar

De um lado o olho desaforo
Que diz meu nariz arrebitado
E não levo para casa, mas se você vem perto eu vou lá
Eu vou lá!

No canto do cisco
No canto do olho
A menina dança

E dentro da menina
A menina dança
E se você fecha o olho
A menina ainda dança
Dentro da menina
Ainda dança

Até o sol raiar
Até o sol raiar
Até dentro de você nascer

Nascer o que há!

Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Tic -Tac, Tic -Tac

Li um texto que eu gostei bastante. Ele falava de cantadas. Não sei dizer ao certo por que as palavras de um autor desconhecido tenham me agradado tanto. Talvez por me identificar com a "mocinha" da história, aquela que não sabe bem receber um elogio.

"Nos nossos tempos de cinismo, a cantada se reduziu a isso: uma bomba de efeito moral, humorística entre o inteligente e o infame, muito longe de todos os seus séculos de história, quando os bróderes realmente criavam melodias sobre as mulheres e as entoavam em serenatas e hinos de amor.
Hoje a cantada enfrenta talvez sua pior entressafra. Assim como um dia houve o futebol-arte, a “cantata dell’arte” um dia existiu, mas foi substituída pela cantada de resultados. Por quê? Bom, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, dizia o mestre-cantor Luís de Camões, e nada mudou mais do que a mulher.
A donzela dos balcões hoje não se engana mais com esse papinho de castidade e pior: acha medieval essa coisa de receber elogios..."

Eu sou do tipo que não sabe flertar, que desconfia de elogios, que não cai em cantadas pré-prontas. E essas características fazem de mim um ser muito consciente e sensato, que seria ótimo se não me atrapalhasse tanto.
E atrapalha. Porque eu não tenho a menor paciencia para escutar as primeiras palavras de um homem quando se aproxima com cara de que vai largar uma cantada. Eu já parto do princípio que ele vai testar a sua receita infalível mais uma vez e eu já sei que não vou cair.

Ao menos penso que não vou cair... Por que quebrar a cara é uma especialidade feminina. E masculina também, por que não. Onde tem uma mulher ferida tem um homem ferido que feriu!

Eu acredito em timming. Acho que todo elogio pode ser proveitoso se ocorre na hora certa. Desde que os machucados, recentes ou antigos, estejam sarados, há chance de uma boa cantada dar certo.Falta é um pouco de fé, de romantismo, de exatidão. Falta pra mim que o cosmos se entenda e acerte o meu ponteiro com o daquele que deseja ouvir o meu canto.

terça-feira, 4 de maio de 2010

A arte de bem receber

Estive na Bahia para participar do casamento de um casal de amigos. Ela, baiana. Ele, carioca. Os convidados, de toda a parte do Brasil. Só na minha “turma” tinha gaúcho, paulista, goiano, baiano e carioca. Miscigenação de sotaques.
A noiva, minha amiga, sempre me recebeu muito bem na sua casa, tanto em Barcelona (quando virávamos a noite fazendo algum trabalho para o pós ou pelo prazer da companhia. Foi pra ela que eu liguei quando fui demitida e levado um pé na bunda, pois eu sabia que na casa dela teria conforto), quanto no Rio de Janeiro, onde mora atualmente.
Mesmo sabendo dessa maneira braços abertos que ela tem, me surpreendi ao chegar no aeroporto de Salvador e receber uma mensagem no celular: to chegando. Sem aviso prévio, ela e o noivo foram me buscar. E não só eu como TODOS os convidados que vieram de fora. Passaram a véspera do casório num vai e vem aeroporto-pousada e sempre com sorrisos nos rostos, abraços apertados, carinho e atenção.
Em um casamento que recebe gente de outros lugares não é de se estranhar que algumas coisas sejam pré estabelecidas pelos anfitriões. A mãe da noiva, uma pessoa que adora receber gente comandava a festa. Agilizou caronas, improvisou almoço. Até a casa dela é projetada de forma a bem receber seus amigos. Existe uma área especial para isso. Uma varanda, uma sala enorme com televisão e um sofá gigante, daqueles que cabem umas 20 pessoas. Nem todo mundo tem esse dom, o de fazer todo mundo se sentir bem recebido, mas quem tem, está no sangue.
E como faz a diferença estar com pessoas que te fazem se sentir bem, confortável. É mais fácil a interação, a sintonia se afina, não é preciso formalidades. Só corre-se o risco de sentir-se em dívida com o anfitrião. Fui tão bem recebida que não posso dizer que eu tenha retribuído à altura.