terça-feira, 21 de junho de 2011

O texto de alguém que me decifra

Greeneyes
Verdes fortes. Fortes e frios e leves e suaves, mas que despertam calor. Calor bem quente preocupante. Por que são os olhos responsáveis que intimidam os castanhos infantis.

Corpinhos que não sustentam tanta experiência emocional genuína.

Sim, por que não vem de sofrimento. Vem da dureza que se vê e observa os detalhes de uma vida conscientemente breve, boa, gingada, light...

Nem por isso menos intensa, pois a simplicidade por mais clara que pareça lhe instiga. Sim. Vai fundo mesmo no raso, senão não tem por que ter pele e osso.

Larga o osso do ócio mental... que não lhe pertence, definitivamente.

Voa atrás do ar mais límpido, coerente com a tua evolução admiravelmente individual e grandiosa.

Olha para os lados e aceita a pimenta alheia.


quarta-feira, 25 de maio de 2011

É o mundo que anda hostil

Fui tocada pelo último fenômeno musical vivido nas redes sociais. Em três dias se viu uma, duas, quatro, oito vezes um clipe envolvente de uma banda com nome bonitinho circular pela rede.

Quem entrou em contato não passou imune ao fato. Uma oração que promete salvar um coração que não é simples como se pensa, já que nele só cabe as coisas que não cabem na dispensa. Cabe um amor.

Isso me fez refletir na falta de doçura dos nossos dias. Mas me deixou feliz perceber que é por um pouco de oração, amor e canção que ansiamos.

Eu diria que cabem mais canções bonitinhas, mais amor e sinceridade. Cabe um monte de coisas boas esquecidas pela dureza com que nos tratamos.

No mesmo final de semana ouvi de um amigo que ele agora tinha coração de pedra, que as mulheres tinham o deixado frio e insensível. Meu amigo, não é coração que tem que arcar com as atitudes artificiais que permeiam as nossas relações. Mantém o teu coração mole e doce, faz com que a tua cabeça esteja mais lúcida e aja com razão.

Não há nada mais racional do que agir com o coração.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O texto que eu ainda não escrevi

Lamento não ter sido completamente a adolescente da mulher que eu sou hoje, pois ela teria trabalhado em uma locadora ou em uma biblioteca e teria visto muito mais filmes do que eu já vi. Também teria lido todos os clássicos da literatura e saberia o nome dos personagens de cor.
Essa menina teria levado a sério as aulas de violão nos seus 15 anos e não teria desistido tão fácil só porque na primeira aula o professor a obrigou a lixar bem curtinha suas unhas recém feitas. Ela entenderia de música e seria mais eloquente no assunto. Quem sabe até teria feito parte de uma banda e hoje poderia rir dos seus cabelos nas fotos.

A adolescente que eu fui estudava inglês, jogava vôlei, adorava uma festinha “tudo liberado”, mas não bebia cerveja. Teve sua primeira embriaguez por causa de uma cuba libre, investiu em um intercambio para a Austrália e morou na Tazmania. Ela, que pouco namorou, deu seu primeiro beijo aos 13 anos no corredor de um hotel em Bariloche, enquanto seus pais dormiam.

E essa mulher que hoje eu sou, oriunda da adolescente que não fui será a senhora de si mesma. Ela vai olhar pra trás e lamentar não ter seguido certos caminhos, mas certamente se orgulhará da vida que viveu.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

E a nossa música?

Muda o discurso. Não me vem com essa de não poder se envolver, de não querer estragar o que está bom. Bom? Tá morno! E poderia esquentar. Toca pimenta nessa panela. Essa história de ficar só na comida congelada não dá mais. Se a gente pode mais por que vamos nos contentar com menos?

Responde.

Eu ainda nem te mostrei minhas gavetas, não emprestei meus livros prediletos ou te fiz ouvir o som que eu gosto. Tu não conheces todas as minhas caras ou o jeito que eu acordo em domingo de sol. Eu ainda te chamo pelo nome e tu queres que eu pare por aqui. Pra que complicar? Por que tentar enquadrar o que ainda nem tem forma.

Deixe acontecer naturalmente...

Amanhã só vai existir se tiver o agora. Vamos curtir o hoje, explodir em contentamento, sem conter nada. Vamos parar com esse medo de errar, deixar de pedir desculpas desnecessárias ou fazer pose.
Abre esse sorriso e eu não peço mais nada. Não tem que fazer nenhuma promessa, selar contrato. Fique a vontade!

Agora, diz pra eu ficar muda, faz cara de mistério e tira essa bermuda que eu quero você sério.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

a bit melancolic

Desceu as escadas puxando a borrachinha que prendia o cabelo, desequilibrou. Riu de si mesma ao atingir o último degrau. Pensou em sentar-se à mesa, fazer um suco natural para acompanhar a leitura do jornal, mas soube antes mesmo do pensamento terminar que não teria tempo para ler. Nem para o suco. Perdeu instantes preciosos trocando os objetos pessoais de uma bolsa para outra, já que era dia de usar a azul e tudo estava alojado na preta. Fechou a porta com agressividade. O dia invadira o seu corpo. Uma angustia penetrara em sua alma. Segunda-feira. Deixava para trás algumas horas de descanso e a esperança de estar feliz naquela manhã. Não estava feliz. Não se sentia contente.

No caminho até o trabalho se distraiu com algumas músicas tocadas na sua rádio não favorita e lembrou que um dia já quis ser radialista. Na época em que podia ser tudo e qualquer coisa e não sentia o peso de seguir profissionalmente o resto da vida. A bolsa não pesava e não carregava nenhum sonho. Teve a certeza de que nunca fora amada suficientemente na vida e duas lágrimas percorreram a linhas do nariz até o queixo, cada uma de um lado.

Ela queria reviver alguns momentos do passado. Relembrou lugares, ressuscitou pessoas na lembrança. Foi dura consigo mesma ao pensar no seu presente. Ela lembrou que se esqueceu de sorrir para o seu reflexo no espelho, uma prática que jurou ter introduzido a sua rotina com a leitura da noite passada.

Suspirou.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Viajar é preciso

Viajar para a minha pessoa é tão necessário quanto tomar ao menos um bom sorvete no verão ou sopa de ervilha no inverno. Uma daquelas coisas que acabam acontecendo, mas que também podem ser muito bem planejadas. Eu prezo pelos destinos e pelos meus dias de folga. Tenho estratégias e objetivos para cada ocasião, há prerrogativas de toda natureza. Já usei muita desculpa e apliquei os mais eloquentes discursos para convencer quem fosse necessário para me apoiar em meus run aways.
Tudo começou quando em 1989 meu pai ganhou uma bolsa de estudos para fazer a sua especialização na Philadelphia, EUA. Fui levada pela mão e durante três meses chorei todos os dias no intervalo do almoço na escola. Eu, pequena de seis anos, na primeira série, sem poder me comunicar com os colegas, sendo alfabetizada em outra língua. Lembro de dizer aos meus pais que me levassem até o Rio de Janeiro que de lá eu conseguiria chegar a Porto Alegre.
Tamanho foi o trauma que dez anos depois eu meti na cabeça que queria ir fazer intercâmbio na Austrália. Vi o álbum de fotografia de uma amiga que havia passado as férias lá e agilizei toda a papelada para cursar um semestre do segundo ano na terra dos aborígenes. Persuadi meu pai que era o melhor lugar para eu aprimorar o meu inglês. Porque não Estados Unidos? Por que eu já conheço. E Inglaterra? Muito frio e cinza. Nova Zelândia? É mais caro que Australia!
Eu sonhava com praias, calor, mar e surfistas e me mandaram para uma ilha ao sul do país, a Tasmânia. Uma área rural e tranquila, onde o inverno é rígido e o verão tarda em chegar. Inimaginável em se tratando da Austrália. Uma experiência para poucos. Vivi em um lugar em que nunca vi nenhum turista brasileiro e falar português só uma vez por semana, quando ligava para a família.
No meio da faculdade eu determinei que era a vez de ir para a Europa. Pressionada a terminar o curso, fui moldando, planejando e introduzindo uma pós graduação às justificativas da viagem. Em Barcelona descobri o que é morar em um lugar quase perfeito. Fiz amizades que valem ouro, conheci pessoas incríveis, me reconstruí enquanto pessoa. Aprendi sobre arte e cultura de uma forma natural e clara. Mas, principalmente, entendi o que era viajar!
Aprendi a manusear mapas, a me localizar em estações de metro, a fazer malas práticas, a observar as pessoas, a aguentar filas em museus, a curtir um bom passeio e uma bela paisagem.
Recomendo uma viagem en plan solo, sem mais ninguém. Fiz isso na Espanha e nunca me senti tão eu. Não precisa entrar em acordo nas programações, definir rotas e lugares para visitar. Só tu e tu mesmo decide a hora de levantar, almoçar, quanto tempo vais te dedicar em cada lugar e onde vai depois. Viva aos albergues que nunca te deixam na solidão, pois sempre tem alguém ali para conversa. E não há papos mais interessantes do que viajantes trocando dicas e experiências.
Viajar preenche, anima, modifica, faz amadurecer, faz regredir, faz fantasiar, faz criar, pular, soltar, cantar, olhar, beijar, abraçar, amar, encantar e desejar. Desejo poder viajar mais, outra vez, de novo, outro destino, por mais tempo, em outras companhias, com as mesmas pessoas, mais, mais e mais.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Aconteceu com uma amiga minha

No dia do seu casamento, se dirigindo para a igreja, acende a luz do combustível já na reserva. Sem problemas, passa no posto e completa. Vai pagar com cartão e a máquina não chega até o carro. Tem que descer, de véu e grinalda, para digitar a senha. Tem uma fila enorme, mas alguém pergunta: “tu vais casar agora?”. E, assim, toda de branco, a fila inteira em unanimidade a deixa passar na frente. Justo.